
Bolsonaro teve um lampejo e se posicionou contra o carnaval
Ingrid Soares
Correio Braziliense
O presidente Jair Bolsonaro afirmou, nesta quinta-feira (25/11), que uma quarta onda de covid-19 pode chegar ao Brasil. A declaração ocorreu em entrevista à Rádio Sociedade da Bahia enquanto comentava sobre o avanço do vírus em países europeus.
“Outra onda, sim, está vindo. Não sei se outra cepa de vírus ou se acabou validade da vacina, e os problemas estão aí. É uma realidade que temos que enfrentar, não adianta se esconder nem culpar ninguém por essa tragédia que está acontecendo no mundo todo”.
CONTRA RESTRIÇÕES – O chefe do Executivo destacou que, caso os casos voltem a subir no país, manterá a posição contrária à adoção de medidas restritivas e lockdown.
“Estou vendo que alguns países da Europa, sim, estão retomando medidas de lockdown. Se tivermos outro lockdown em Estados e municípios pelo Brasil vão quebrar a economia de vez em nosso país. Essa é nossa preocupação”, apontou.
Ele ainda repetiu questionamentos sobre a efetividade da vacina. “A vacina deve ter uma validade. Seis meses depois, os anticorpos estão mais baixos. Já quem tem a doença conta com muito mais imunidade.”
CONTRA O CARNAVAL – Bolsonaro defendeu também que não deveria ter carnaval no próximo ano, mas destacou que a decisão não cabe a ele. O chefe do Executivo aproveitou para culpar governadores pelo surto da covid-19 no país.
“Por mim não teria carnaval. Só que tem um detalhe: quem decide não sou eu. Segundo o Supremo Tribunal Federal (STF), quem decide são os governadores e prefeitos. Então, não quero me aprofundar nessa que, poderia ser, uma nova polêmica. Em fevereiro do ano passado, ainda estava engatinhando a questão da pandemia, pouco se sabia, praticamente não tinha óbito no Brasil, eu declarei emergência e os governadores e prefeitos ignoraram, fizeram carnaval no Brasil”, alegou.
EXCLUDENTE DE ILICITUDE – O presidente Jair Bolsonaro também afirmou nesta que, se o excludente de ilicitude for aprovado um dia, ele colocará uma farda e “irá à luta”. O excludente de ilicitude é uma espécie de salvaguarda jurídica para policiais que, porventura, matarem em serviço. A questão já foi debatida e rejeitada na Câmara dos Deputados em 2019.
“Cada vez mais nós temos gente da segurança ocupando o Legislativo. E eles, em grande parte, quase todos, sabem o que é enfrentar o crime. Sabem da necessidade que nós temos, um dia, vai ser muito difícil, do excludente de ilicitude. Não pode o policial terminar uma missão e no dia seguinte receber visita do oficial de Justiça. Se a gente aprovar isso um dia, se o Braga Netto (ministro da Defesa) me autorizar, eu boto a farda e vou à luta”, riu, sendo ovacionado pelos presentes a um evento no Ministério da Justiça.
“E nós não queremos com isso carta branca para matar. Nós queremos ter o direito de não morrer. A todos vocês da segurança do nosso país, o nosso muito obrigado por colocar a sua vida em risco em defesa da nossa vida e do nosso patrimônio”, agradeceu.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Bolsonaro espalha uma tremenda fake news sobre as vacinas. As estatísticas internacionais dizem o contrário. E o grande problema dos países europeus é justamente a baixa vacinação. (C.N.)