quarta-feira, junho 23, 2021

Confirmado! Bolsonaro foi mesmo avisado da corrupção que “rolava na aquisição da vacina”

Publicado em 23 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Cazo (Arquivo Google)

Camila Turtelli e Daniel Weterman
Estadão

Em troca de mensagens no WhatsApp com assessor do presidente Jair Bolsonaro em que denunciou irregularidade na compra de vacinas para covid-19, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) afirmou que estava “rolando esquema de corrupção pesado” no Ministério da Saúde. “Tenho as provas e as testemunhas”, escreve Miranda em uma das mensagens as quais o Estadão/Broadcast (leia abaixo) teve acesso.

O aviso foi enviado às 12h54 do dia 20 de março ao número de celular de um ajudante de ordem do presidente. Como resposta, o auxiliar de Bolsonaro responde com uma bandeira do Brasil. Uma hora depois, Miranda insiste: “Não esquece de avisar o PR (presidente). Depois não quero ninguém dizendo que eu implodi a república. Já tem PF e o c… no caso. Ele precisa saber e se antecipar”. A resposta é outra bandeira do Brasil.

ESTAVA A CAMINHO – Às 16h, Miranda informa ao auxiliar do presidente que estava “a caminho”. No mesmo dia, Bolsonaro recebeu o deputado no Palácio da Alvorada. O encontro foi registrado nas redes sociais por Miranda, que na ocasião disse ter ido tratar de combustíveis e vacinas.

Passados dois dias, o deputado voltou a procurar o auxiliar. “Pelo amor de Deus… isso é muito sério!”, escreveu Miranda no dia 22. Sem resposta, ele insiste no dia seguinte. “Bom dia irmão, o PR está chateado comigo? Algo que fiz?”. O auxiliar do presidente responde: “Negativo, deputado. São muitas demandas. Vou relembrá-lo”.

Também pelo aplicativo de mensagens, Miranda envia ao ajudante de ordem uma fatura de compra em nome da empresa Madison Biotech PTE LTDA. O documento, segundo afirmou o deputado ao Estadão, era uma fatura no valor de US$ 45 milhões referente a importação da vacina indiana Covaxin.

FALTAVA LIBERAR – O pagamento, porém, dependia da assinatura de seu irmão, Luis Ricardo Fernandes Miranda, que é chefe do Departamento de Logística do Ministério da Saúde. O parlamentar afirmou que seu irmão se recusou a assinar, pois a área técnica da pasta considerou indevido o pagamento antecipado.

O Ministério da Saúde assinou o contrato para a aquisição de 20 milhões de doses da Covaxin no dia 25 de fevereiro. Como revelou o Estadão, o valor que a pasta aceitou pagar pelo imunizante (US$ 15 por dose) é 1.000% mais alto do que a própria fabricante, o laboratório Bharat Biotech, estimou seis meses antes (US$ 1,34).

Diferentemente dos demais imunizantes, negociados diretamente com seus fabricantes (no País ou no exterior), a compra da Covaxin pelo Brasil foi intermediada pela Precisa Medicamentos.

ALVO DA CPI – A empresa Precisa  virou alvo da CPI da Covid, que na semana passada autorizou a quebra dos sigilos telefônico, telemático, fiscal e bancário de um de seus sócios, Francisco Maximiano. O depoimento do empresário na comissão estava marcado para hoje, mas ele alegou estar em quarentena após voltar da Índia e não compareceu.

O Ministério Público Federal (MPF), que investiga suspeitas envolvendo a compra da Covaxin, afirmou ver indícios de crime e “interesses divorciados do interesse público” na contratação.  A procuradora da República Luciana Loureiro Oliveira, do Distrito Federal, decidiu enviar parte da apuração para a área criminal do MPF.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Esse caso, no jargão policial, é tipo “batom na cueca”. O marido chega em casa de madrugada, bêbado, dizendo que estava com os amigos. Quando tira as calças para vestir o pijama, a mulher percebe que tem batom na cueca dele… Não tem advogado que dê jeito. (C.N.)