sábado, dezembro 22, 2018

Piada de brasileiro, pá! – “Ah, se a Embraer fosse portuguesa…”


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A Boeing vai eliminar uma grande concorrente….
Mauro Santayana
– Vamos, vamos, que quero comentar contigo a última do brasileiro!
– Mas qual delas, pá, qual delas? – pergunta nosso suposto Manoel – diz-me logo que já são tantas, mais de uma por dia, ultimamente!
– Ora, a dos aviões, pá, a dos aviões. Não viste que o Temer, no apagar das luzes, acaba de abrir as asas, ou melhor, as pernas, do mercado brasileiro de aviação de passageiros aos estrangeiros?
– Ora meu caro, isso já era de se esperar. Os brasileiros estão como umas cavalgaduras na sofreguidão por entregar o seu ao alheio. Não percebem que a aviação civil é um excelente negócio, desde que esteja estrategicamente ligado, até por uma questão de segurança, também ao Estado, atendendo aos interesses nacionais, ou, em alguns casos, até mesmo continentais, como por aqui é o caso.
– É verdade. Não foi por acaso que o nosso governo comprou mais ações da TAP no ano passado, completando agora os 50% – disse Joaquim, levando pela primeira vez a taça aos lábios, com nosso providencial capixaba encostado ao balcão, meio de lado, com as orelhas em riste, acompanhando o  colóquio lusitano.
– O governo português é socialista – retrucou o Manuel – mas não é burro. No mesmo ano a Air Portugal já deu logo 104 milhões de euros em lucro. Em bom brasileiro, quase 400 milhões de reais.
– A TAP. Uma empresa que foi, durante  anos, comandada por um gaúcho brasileiro nada burro, o Fernando Pinto, que acaba de se aposentar. Ficou mais de 15 anos por aqui, vindo de uma empresa antiga, te lembras, que operava em quase todos os aeroportos do mundo e tinha uma rosa dos ventos no rabo das aeronaves, chamava-se VARIG ou BARIG, não me lembro mais…
– Ficando os outros 5% para os funcionários da TAP e 45% para o Atlantic Gateway…
– Um consórcio comandado por outro brasileiro também nada burro, pá, já que é também estadunidense, o David Neeleman…
– Que como li, se colocou contra a abertura indiscriminada do mercado aos concorrentes estrangeiros, ainda mais sem a exigência de nenhuma reciprocidade, como foi feito, aconselhando que o limite fosse de no máximo 49%…
– Como é no outro país dele, os Estados Unidos, onde, por lei, nenhuma empresa estrangeira pode ter mais do que 49% em companhias locais, senão não pode entrar no mercado norte-americano.
– Ou aqui, na Europa, onde a União Europeia proíbe, também por lei, que empresas que não sejam estatais ou não pertençam a capitais europeus, ou a cidadãos nascidos em países da UE,  tenham mais de 50% do controlo de qualquer companhia aérea de transporte de passageiros.
– Mas os brasileiros são burros, pá…. – tornou o Manuel, pensativo – ainda acreditam em lorotas como a da livre iniciativa. Mal sabem eles que a liberdade da tal mão invisível do mercado acaba onde começam os interesses dos grandes países e blocos econômicos que têm vergonha na cara.
– Aquela mãozinha sacana dos mercados que onde não tem controlo está sempre enfiada no bolso de trás dos consumidores. A mexer na carteira deles ou a apertar, lascivamente, suas nádegas.
– E a Embraer, pá, não viste como estão encaminhando mal o tema?
– Entregando a companhia de mais alta tecnologia que têm à Boeing, a preço de bananas?
– Sim. Com a justificativa de que a Bombardier canadense também se aliou à Airbus.
– É. Mas a mídia lastimável que os gajos têm no Brasil não explica que a Bombardier canadense tem participação estatal e que o Canadá só vai abrir mão de 50% da nova empresa, porque a tal “aliança” por lá é meio a meio.
– Enquanto a Embraer está entregando o futuro do negócio e 80% das ações para os norte-americanos, com uma cláusula de eventual venda dos outros 20%.
– Com isso os asnos não veem que a Boieng já se livra, a longo termo, de um futuro concorrente, que já estava fabricando aviões médios, de 120 lugares.
– E que daqui a uns dois ou três anos a Boeing pode fechar as fábricas da Embraer no Brasil e transferi-las aos EUA, engolindo os canarinhos de camisola amarela da seleção 1 x 7.
– Como faria qualquer bom gavião, pá, já que estamos em assuntos aéreos.
– E alcóolicos e etéreos – retrucou Joaquim, filosoficamente – fazendo um sinal ao moço para trazer mais uma taça de vinho.
– Mas o pior de tudo são as desculpas – continuou o Manoel, dando uma boa gargalhada.
– Eu vi, eu vi. Estou acompanhando na TV a cabo os “especialistas” comprados, que sempre estão à mão para justificar este tipo de engodo e garantir, como diria o Noam Chomsky, a fabricação do consentimento. Estes teimam em dizer  que sem o “acordo”, melhor dizendo sua rendição à Boieng, a Embraer não sobrevive no mercado.
– Como se a Embraer não tivesse acabado de bancar, sozinha,  o desenvolvimento de toda uma nova família de aviões civis para até 120 passageiros, a E-2, muito mais moderna, segura e econômica, sem precisar de ajuda ou parceria de nenhuma companhia estrangeira.
– E não estivesse a colher os frutos desse gigantesco projeto com um tremendo sucesso de vendas nos principais salões aeronáuticos.
– Só no Farnbourough Airshow na Inglaterra, neste ano, a Embraer vendeu 300 aviões, em contratos que podem render até 15 bilhões de dólares.
– Que agora irão para o bolso dos norte-americanos.
– Sem falar nas vendas da semana passada, quando a Embraer vendeu de uma só vez – também sem precisar da Boeing nem de nenhuma outra empresa estrangeira para isso – 100 aviões de médio porte para a Republic Airways dos Estados Unidos em uma única canetada.
– Fora os 21 jatos que vendeu à Azul, do David Neeleman, também nos últimos dias, não te esqueças, por 1.4 bilhão de dólares.
– Ora…o amigo acha que se as grandes empresas de aviação regional estivessem preocupadas  com o futuro da Embraer estariam comprando os aviões dela dessa forma?
– Quer dizer, os brasileiros investem durante dezenas de anos sangue e suor e bilhões de dólares em dinheiro público para matar o leão e construir a terceira maior fabricante de aviões do mundo.
– E na hora de comer o felino – completou Manuel – põem a mesa de gravatinha borboleta e creminho no cabelo e servem tudo à francesa para os gringos.
– É que a moda agora no Brasil é acreditar na conversa fiada de que são incompetentes e que estão quebrados.  Duas excelentes desculpa para todo tipo de corrupção e de negociatas.
– Afinal, só um país de idiotas vende o controlo de sua mais avançada empresa de tecnologia por 5 bilhões de dólares.
– Quando tem 380 bilhões de dólares – mais que o nosso PIB português – só em reservas internacionais.
– 250 bilhões desses 380 bilhões de dólares, diga-se de passagem, emprestados justamente para os norte-americanos, que são quem está levando para casa a EMBRAER na bacia das almas.
– Acredito que só com as encomendas deste ano a Boeing lucra os 5 bilhões de dólares que vai pagar pela Embraer. A empresa vai sair de graça.
– Ora, se a intenção é atingir escala aliando-se à Boeing, o governo brasileiro devia pegar 5 bilhões de dolares das reservas internacionais, que ao final não fazem a menor diferença diante do total, dá menos de dois por cento, e capitalizar a EMBRAER no mesmo montante da Boeing, ficando com peo menos 50% do negócio e com uma empresa muito maior do que a que o Brasil já tem.
– Mas isso, está claro, não se pode fazer. Seria coisa de comunista estatizante.
– Se vê muito bem que a razão não é empresarial. A questão é não perder a oportunidade de mostrar como são abjetos e como esse “novo” Brasil se rebaixa caninamente aos interesses de tudo que é norte-americano!
– Além de se estar fazendo o mesmo com o KC-390, o novíssimo cargueiro militar feito pra substituir o Hercules C-130 do qual também participamos do desenvolvimento, junto com os brasileiros, os argentinos e a República Tcheca.
– No princípio diziam que o negócio só abrangeria os aviões civis e agora vão chamar a Boieng também para ser sócia na fabricação desse avião, o maior já produzido pela indústria brasileira, que está mais voltado para operações de defesa.
– Nos dois casos o que importa é saber se o governo brasileiro vai conservar a ação de mando na EMBRAER, impedindo que a Boieng amanhã desmonte as fábricas e as leve para os Estados Unidos.
– Como a própria Embraer teve que fazer quando transferiu a fabricação de Super Tucanos vendidos para EUA para a Flórida, sendo obrigada a fazer uma joint venture minoritária com uma empresa americana, a Sierra Nevada, porque os EUA – que já avisaram que querem que o KC-390 seja montado nos EUA – proíbem a importação de armamento para suas forças se não forem construídos em território norte-americano e por empresas majoritariamente norte-americanas.
– É óbvio. Já que os norte-americanos não são estúpidos como os brasileiros, ou a massa ignara e manipulada deles, sempre enganada pela mídia.
– Como se diz por lá, os gringos não dão ponto sem nó, pá !
– Como estão fazendo no caso da Petrobras, a outra grande empresa brasileira de tecnologia.
Arrebentando com a empresa nos tribunais dos EUA com a desculpa da corrupção e se apropriando das reservas de petroleo que ela descobriu com tecnologia própria para suas próprias grandes empresas como a EXXON, com isenção de impostos de dezenas de anos.
– Afinal, o que não se pode compreender, pá, é como um país tão grande….
– Com 8.5 milhões de quilômetros quadrados e um território e um espaço aéreo maiores que o da Europa inteira.
– E mais de 200 milhões de habitantes com a quinta maior população do  mundo…
– Com 380 bilhões de dólares  em reservas internacionais e uma das dividas mais baixas do planeta com relação ao PIB entre as 20 maiores economias.
– Consegue ser….
– E pensar…
– Tão pequeno!
– Ah se a Embraer fosse portuguesa…- concluiu Joaquim