quarta-feira, maio 18, 2011

Deputados defendem divisão da Bahia em dois estados

Lílian Machado

Um pleito antigo que propõe a divisão da Bahia e a criação do estado do São Francisco tem sido requentado na Câmara Federal e incentivado por deputados baianos que representam a região Oeste na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional.

A reivindicação que, segundo pesquisas, começou no século passado tramita em Brasília, através do projeto apresentado pelo deputado pernambucano Gonzaga Patriota (PSB-PE). A proposta colocada em pauta desde 2007 voltou a ganhar fôlego recentemente com a aprovação do plebiscito para criação dos estados de Tapajós e Carajás, que podem ser desmembrados do Pará. Entretanto, nos bastidores, fala-se de aproveitamento político do pleito por parte de lideranças representativas do Oeste.

Entre as forças do governo, o tema é considerado “inviável”. A justificativa inicial é de que a região passa por investimentos, a exemplo da Ferrovia Oeste-Leste e do Porto Sul, projetos bastante avançados para Bahia nas últimas décadas. O certo é que o assunto ainda deve ser fonte de árduos debates já que há um forte apelo pelo tema na região.

A questão tem sido despertada pelo novato na Assembleia deputado Herbert Barbosa (DEM), que seguiu recentemente em comitiva até o Tocantis para obter informações sobre o processo de emancipação do estado. Apesar das contestações que rondam o pleito, o deputado argumenta que o projeto já foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. “Parou porque depende da votação em plenário.

Dependemos de um projeto para aprovação de um plebiscito. Vamos fazer uma audiência com o presidente da CCJ da Câmara e ver como podem ser agilizados os passos para sua aprovação”, afirma Barbosa, justificando que a Bahia é muito grande e “a nossa região, a partir de sua força agrícola, se sente em condições de buscar sua independência”. Ele disse lutar para que haja um apoio de representantes da Assembleia e do governo.

Diante do clima de cobranças pelo pleito, há quem diga que a maioria dos deputados da região sempre vão dizer sim à causa. O deputado João Bonfim (PDT) se queixa de uma concentração de riquezas na Região Metropolitana de Salvador, “enquanto o São Francisco fica em segundo plano”.

O deputado federal Oziel Oliveira (PDT), marido da prefeita de Barreiras, Jusmari Oliveira, argumenta que a região “precisa de um aeroporto de qualidade, de universidades públicas".

Projeto acirra ânimos

A proposta de divisão do estado aquece o debate entre o governo e a oposição no estado. Enquanto a força contrária acusa o governo de omissão com as reivindicações do Oeste, o governo aposta no discurso das ações realizadas e na previsão de maiores incrementos econômicos com os projetos de fábricas e a construção da Ferrovia Oeste-Leste e o Porto Sul, previsto para ser um dos maiores do país.

O líder do governo na AL, deputado Zé Neto, disse que “alguns tentam levantar bandeiras do passado para fazer espuma, desviando o foco de projetos que realmente interessam”. “Trata-se de uma proposta despropositada, já que o governo tem levado vários investimentos para a região. Esse isolamento que eles alegam tem dia e hora para acabar com a Ferrovia Oeste-Leste e o Porto-Sul”, enfatizou.

O Partido Democratas, originado nos fundamentos do carlismo, que era contrário à tese de divisão, através de sua figura maior, Antonio Carlos Magalhães, surpreende ao sinalizar possível adesão à ideia. O presidente estadual do partido, José Carlos Aleluia, acusa o “abandono” do governo atual como uma razão de crescimento do pleito. “Somos da tese de que o governo da Bahia tem que dar devida atenção ao Oeste”.

Os líderes do PMDB afirmam ser contra, porém se referem à ausência de investimentos na área. “O governador deve erguer logo sua voz e liderar a posição contra tititi de divisão da Bahia. Nessa, eu o acompanho disciplinadamente”, declarou o ex-ministro Geddel Vieira Lima em seu twitter.

O presidente do partido, deputado federal Lúcio Vieira Lima, disse que “a divisão vai criar novas secretarias, novas câmaras, ou seja, mais despesas para os cofres brasileiros. A solução é o governo investir mais na região”.

Fonte: Tribuna da Bahia