Pito de rei da Espanha no presidente da Venezuela vira toque de celular. Meio milhão de espanhóis já aderiram
Um recente episódio em que o rei da Espanha, Juan Carlos, ordena ao presidente venezuelano, Hugo Chávez, que cale a boca tornou-se um popular toque de celular entre os espanhóis. Cerca de 500 mil pessoas baixaram o insulto "¿Por qué no te callas?", interpretado por um ator. Segundo relatos, a onda já rendeu US$ 2 milhões às empresas envolvidas.
O rei Juan Carlos mandou que Chávez calasse a boca durante a recente cerimônia de encerramento da Cúpula Ibero-Americana no Chile. O insulto foi em resposta a uma afirmação de Chávez, que chamou o ex-primeiro-ministro da Espanha, José María Aznar, de "fascista". Camisetas, canecas e sites contendo a famosa frase também viraram mania na Espanha.
Na Venezuela, um grupo de estudantes que se opõe ao governo de Chávez também está baixando o toque de celular, informou o jornal americano "Miami Herald". "É uma forma de protesto", disse um estudante de 21 anos, em Caracas, ao jornal. "Isto é algo que muitas pessoas gostariam de dizer ao presidente".
As companhias que estão vendendo os toques de celular conseguiram driblar as leis que protegem a imagem do rei contratando um ator para dizer a frase.
A briga começou em Santiago do Chile, quando Chávez chamou Aznar, forte aliado do presidente George W. Bush, de "fascista", acrescentando que "fascistas não são humanos. Uma cobra é mais humana".
Atual primeiro-ministro espanhol, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero saiu em defesa de Aznar, ainda que seja seu opositor, dizendo que ele havia sido eleito "democraticamente pelo povo" e foi "um representante legítimo dos espanhóis". Chávez tentou interromper Zapatero diversas vezes, apesar de estar com o microfone desligado. Ao assistir à cena, o rei, dedo apontado, três cadeiras adiante, dirigiu-se a Chávez, furioso: "¿Por qué no te callas?".
Mais tarde, comentando o incidente, o presidente venezuelano disse que não queria uma crise política com a Espanha. "Exijo respeito, porque também sou um chefe de Estado e eleito democraticamente. Ele (o rei) é tão chefe de Estado quanto eu, com a diferença de que fui eleito três vezes", sustentou. O governo espanhol declarou esperar que as relações diplomáticas entre os dois países retornem rapidamente à normalidade.
Fonte: tribuna da Imprensa