sábado, agosto 06, 2022

Eduardo Paes contraria Bolsonaro e manda organizar o 7 de Setembro no centro do Rio

Publicado em 6 de agosto de 2022 por Tribuna da Internet

Paes diz que logística de desfile militar na Praia de Copacabana é difícil,  mas se coloca à disposição - Brasil - Extra Online

Logística de desfile em Copacabana é difícil, afirma Paes

Deu no UOL

Após o presidente Jair Bolsonaro ter anunciado que a parada militar do 7 de Setembro aconteceria na orla de Copacabana, a Prefeitura do Rio de Janeiro tomou uma decisão que contraria o mandatário. Em edital publicado no Diário Oficial do Município de quinta-feira (4), a cidade indica que a comemoração da data acontecerá na região central, na avenida Presidente Vargas, em torno do Pantheon de Caxias.

De acordo com o edital, estruturas de metal, toldos, arquibancadas, grades e sonorização serão adquiridas e instaladas para o desfile, com custo estimado de R$ 318.035.

EM OUTRO LOCAL – O pregão eletrônico, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Governo e Integridade Pública do RJ, também detalha a posição do que deve ser instalado — especialmente as tribunas e arquibancadas, com tudo em volta do Monumento a Duque de Caxias.

Nesta sexta-feira (5), o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), disse que o evento será no local “aonde o Exército solicitou e aonde sempre foi feito”. Ele também disse que “não trabalha na birra nem na fofoca”.

“Preferências políticas e administração são coisas distintas. E as posições políticas aqui sempre foram claras”, escreveu.

DIZ A PREFEITURA – Procurada pelo UOL para falar sobre a decisão, a prefeitura afirmou que, “até momento, não recebeu nenhum pedido de alteração do local do desfile de 7 de Setembro e, por isso, segue com o trabalho de apoio logístico para que o evento ocorra em seu local tradicional, a av. Presidente Vargas”.

Na terça-feira (2), no Twitter, Paes havia se colocado “inteiramente à disposição do governo federal”, mas disse que o evento demanda uma “logística bastante complexa”. O prefeito ressaltou a estrutura necessária e a demora para montagem.

“Obviamente, desafios que podem ser superados desde que se tenha organização e planejamento e se permita modificações na estrutura tradicional do evento”, disse.

AGENDA DO PLANALTO – Bolsonaro havia dito que, na data em que se comemora a Independência do Brasil, ele estará presente em desfiles oficiais pela manhã, em Brasília, como é tradição, e também no Rio de Janeiro, à tarde.

“Nós queremos, pela primeira vez, inovar no Rio de Janeiro. Sei que vocês queriam aqui, mas nós queremos inovar no Rio de Janeiro. Às 16 horas do dia 7 de Setembro, pela primeira vez, as nossas Forças Armadas e as nossas irmãs, forças auxiliares, estarão desfilando na praia de Copacabana ao lado do nosso povo”, disse, durante a convenção nacional do Republicanos, realizada em São Paulo.

No mesmo dia em que Bolsonaro afirmou que o desfile havia sido transferido para a praia de Copacabana, o presidente também disse que as Forças Armadas e forças auxiliares, as polícias militares, desfilariam no evento. Entretanto, o edital da prefeitura não cita essas participações.

TUDO NO CENTRO – De acordo com o texto, a Polícia Militar somente estará presente na interdição da avenida, colaborando com a CET-Rio (Companhia de Engenharia e Tráfego do Município do Rio de Janeiro) e a Guarda Municipal do Rio de Janeiro.

A escolha de Bolsonaro de participar do desfile no Rio de Janeiro pegou militares que organizam o evento de surpresa. Os preparos para o evento estavam quase todos prontos, mas tiveram de ser rearranjados para comportar a participação do presidente e de seus apoiadores.

O ato deve ter caráter político e eleitoreiro, uma vez que ocorre a um mês da votação. Acontecerá ainda em um momento em que o chefe do Executivo está pressionado pelas pesquisas de intenção de voto e joga descrença sobre o sistema eleitoral.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O problema mostra como o presidente é mal assessorado. Bolsonaro anuncia uma decisão e o Planalto simplesmente ignora, não toma as providência necessárias. Detalhe importante. Se o desfile começar às 16 horas, como diz Bolsonaro, vai dar um engarrafamento desgraçado, para organizar e depois para abandonar o local, a não ser que seja um desfile pequeno, apenas simbólico, tipo os 18 do Forte. Quem conhece o Rio de Janeiro sabe que tudo indica que a ideia de Bolsonaro seja praticamente inexequível.  (C.N.)

 

Disparates que nos envergonharam serviram de estopim para que a sociedade civil se levantasse

Publicado em 6 de agosto de 2022 por Tribuna da Internet

Bolsonaro: “Três anos e três meses sem qualquer denúncia de corrupção” |  VEJA

Se falasse menos, Bolsonaro não perderia tantos eleitores

João Gabriel de Lima
Estadão

A redemocratização brasileira, grande conquista de uma geração, era considerada um caso exemplar na ciência política. Os estudiosos se impressionavam com as instituições que se fortaleciam, as eleições regulares e as transições civilizadas. Usadas pela primeira vez em 1996, as urnas eletrônicas – seguras, rápidas, confiáveis – sempre foram vistas mundo afora como símbolo do sucesso.

Esse símbolo vem sendo atacado sistematicamente pelo presidente Jair Bolsonaro – que há duas semanas reuniu embaixadores para espalhar “fake news” sobre as urnas eletrônicas.

ENFIM, A REAÇÃO – A sociedade civil reagiu ao disparate que nos envergonhou no plano internacional. “O processo de apuração no Brasil tem servido de exemplo ao mundo com respeito aos resultados e transição republicana de governo”, diz a “Carta às Brasileiras e aos Brasileiros em Defesa do Estado Democrático de Direito”.

O manifesto, elaborado na tradicional Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, explodiu em adesões ao longo da semana.

Como observou o Estadão, a “carta” juntou “tucanos e petistas, juristas e economistas”, além de, entre outros, banqueiros, empresários, artistas e representantes de organizações não governamentais. Em resumo, uma amostra significativa da sociedade civil brasileira. “Foi uma aglutinação como há muito não se via no País”, diz Conrado Hübner Mendes, professor da Faculdade de Direito da USP.

SOCIEDADE CIVIL – O conceito de sociedade civil foi criado no século 18 por filósofos liberais escoceses, como Adam Smith, e expandido no século 20 por pensadores socialistas como o italiano Antonio Gramsci.

Na definição original, ela incorpora toda forma de organização não estatal, da comunidade do trabalho – sindicatos e associações empresariais – à comunidade do conhecimento – as universidades e a imprensa.

A mobilização de todos esses setores é sinal de saúde democrática. “Uma esfera pública vibrante, com participação cidadã, força o poder a prestar contas”, diz Hübner Mendes. Ele é um dos criadores do termo “bolsonarismo”, empregado de forma pioneira em artigo publicado no Estadão em 2014.

PERDENDO PONTOS – Outrora considerada exemplo, a democracia brasileira vem perdendo pontos nos rankings internacionais.

O semanário liberal The Economist, que coordena um desses rankings, publicou na semana passada um artigo extenso sobre a ameaça que o ataque às urnas representa para a nossa democracia.

Os disparates que nos envergonharam, no entanto, trouxeram algo de positivo. Serviram de estopim para que a sociedade civil brasileira se levantasse para defender sua maior conquista.

O império contra-ataca! Após atuação discreta, PL entra com 7 ações contra Lula do PT


Campanha de Lula se reúne com Moraes e Aras para discutir | Política

No TSE, o PL acusa Lula e o PT por campanha antecipada

Rafael Moraes Moura
O Globo

A ofensiva jurídica que o partido do presidente Jair Bolsonaro, o PL, desencadeou contra a campanha de Lula mostra uma mudança radical na estratégia jurídica adotada até então perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Agora, os bolsonaristas pretendem seguir a fórmula adotada pelo PT: usar as ações judiciais como arma na guerra da comunicação.

Até a última quarta-feira (3), o PL só tinha ingressado com três ações contra Lula e o PT. Com as sete representações protocoladas no TSE na noite de quinta (4) e na madrugada de sexta (5) , o número total de processos, dez, mais que triplicou.

MESMA ESTRATÉGIA – Conforme antecipou a coluna, a percepção no PL era a de que o partido só “apanha” na arena eleitoral, enquanto o PT tem uma estratégia de comunicação mais agressiva e sabe usar as ações para ganhar espaço na mídia e nas redes sociais – independentemente do desfecho dos processos.

Até aqui, o TSE tem sido “minimalista” na análise de pedidos de propaganda eleitoral antecipada. Conforme revelou O GLOBO, o TSE só atendeu até agora 10% das ações por propaganda antecipada de presidenciáveis neste ano.

Do lado oposto, a atuação dos petistas é bem mais ostensiva: o PT já acionou o TSE ao menos 23 vezes contra o atual ocupante do Palácio do Planalto. A última alegava irregularidades na convenção que consagrou Bolsonaro candidato à reeleição no domingo retrasado.

PEDE O PL – O próprio conteúdo das ações protocoladas nas últimas 24 horas já mostra de que forma elas se conectam com a estratégia de comunicação da campanha.

Em uma delas, o PL pede ao TSE para que sejam retirados da internet vídeos em que Lula chama Bolsonaro de “mentiroso”, “sem vergonha”, “irresponsável”, “genocida” e “miliciano”. O caso está sob a relatoria da ministra Cármen Lúcia.

A defesa do partido de Bolsonaro alega que “genocida não é um adjetivo qualquer, mas sim palavra de conteúdo pejorativo gravíssimo”, cujo uso “ofendeu a honra” do chefe do Executivo.

ABUSO DE LIBERDADE – “Discurso de ódio e imputação de crimes não podem ser tolerados num regime democrático”, disse à equipe da coluna o advogado do PL, Tarcisio Vieira. “Liberdade de expressão tem limite – e eles estão abusando da liberdade.”

Para Vieira, a mudança na estratégia está relacionada ao comportamento “abusivo de Lula”, que tem feito “campanha antecipada ilegal sem qualquer pudor”.

Nas outras ações, o PL acusa Lula de promover “verdadeiro comício eleitoral antecipado” em eventos em Recife, Garanhuns (PE) e Brasília, no mês passado, fazendo “inúmeras promessas de campanha” e pedindo votos, “ainda que de forma dissimulada”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – São ações destinadas a arquivamento. Mas podem e devem ser usadas como armas na guerra midiática da polarização.  Os advogados do PT mostraram o caminho e o PL resolveu seguir na mesma balada. (C.N.)

Estive no TSE e constatei que a situação está complicada até para as teorias conspiratórias

Publicado em 6 de agosto de 2022 por Tribuna da Internet

Voto eletrônico no país do cabresto - Blog do Ari Cunha

Charge do Pelicano (Arquivo Google)

Alexandre Borges
Gazeta do Povo

No panteão de mitos nacionais com membros ilustres como o saci-pererê, o curupira, a mula sem cabeça e o boitatá, uma nova integrante chega com pompa e circunstância: a “urna eletrônica não auditável, fraudável e com resultado pré-programado pelo STF”. Ela não existe, mas quem se importa? Quem perde eleição, claro, mas não sejamos indelicados com maus perdedores.

Era quase meio-dia nesta quinta-feira, dia 4, quando o auditório do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), principal instituição brasileira para organização e gestão das eleições, recebeu um grupo heterogêneo de pouco mais de vinte pessoas, na maioria jovens engajados e hypados, produtores de conteúdo digital escolhidos pelo movimento Redes Cordiais, que fez a gentileza de também me convidar para o evento.

APRESENTAÇÃO – Antes do início da programação do dia, que incluía palestras, um tour pelas dependências do TSE e uma aula técnica sobre o funcionamento das urnas eletrônicas, todos foram convidados a se apresentar. A cada um que resumia sua história, um TED Talk de fazer Malala Yousafzai parecer uma patricinha de shopping.

Na minha vez, tive que confessar ser apenas um representante da odiada “grande mídia”, aquela chamada de esquerda pela direita e vice-versa. Agradeço os breves e gentis aplausos naquele momento de anticlímax. Sigamos.

Por volta das duas da tarde, a umidade relativa do ar em Brasília estava em 35%, abaixo do mínimo recomendável pela OMS e pelo bom senso para um organismo humano normal sobreviver. Quanto mais seco o ar, mais chances de dor de cabeça, problemas alérgicos, olhos irritados, asma, infecções e, claro, desidratação. Alguém vai dizer que foi um plano arquitetado para alterar nosso juízo.

PRATO DO DIA – Neste clima ameno, fomos convidados para um agradável almoço no terraço do edifício, onde serviram um honesto strogonoff de carne, aquele prato de aceitação universal que acaba com a margem de erro dos anfitriões. Neste momento, reconheço que perdi uma grande oportunidade. Voltarei ao assunto.

As palestras, apresentações e visitações apenas confirmaram o que qualquer bípede já sabe: as urnas eletrônicas brasileiras são tão seguras quanto possível, mais do que o sistema informatizado do banco que você deposita seu dinheiro, uma informação real, verdadeira, mas enfadonha. Quem se emociona com algo que funciona?

Como resistir ao charme de uma mentira que inclui urnas hackeadas, invasores anônimos financiados por elites malignas e pervertidas, salas secretas de apuração de votos e resultados manipulados para subtrair o direito do povo escolher seu representante legítimo? Se non è vero, è ben trovato!

TEORIAS CONSPIRATÓRIAS – O espírito do tempo no Brasil está propício a teorias que incluem até cidades perdidas na Amazônia, terra plana e vermífugos que curam Covid-19. Por que não urnas que fazem parte de uma trama digna de um filme B de espionagem internacional? É neste momento que entra o strogonoff.

A iguaria é identificada com a Rússia, mas provavelmente foi inventada pelo chef francês Charles Briere no início do séc. XIX. Ele estaria a serviço da tradicional família Stroganov em São Petersburgo e o prato seria um amálgama de elementos clássicos das culinárias francesa e russa. Nunca saberemos se a história é verdadeira mas, de novo, quem se importa? O strogonoff é russo e não se discute. Já o estado da nossa democracia, ruça com cê cedilha, como diria o “ativista” Ivan Papo Reto.

Seria o prato principal servido na sede do TSE uma prova de influência russa nas eleições brasileiras? O cozinheiro estaria lá para servir agentes infiltrados da antiga KGB, o temido serviço secreto já chefiado por ninguém menos que Vladmir Putin?

INFLUÊNCIA RUSSA? – Quantos likes e compartilhamentos um vídeo contando esta cascata não ganharia nas redes sociais? Seria o autor do vídeo convidado para um cargo de comentarista numa mídia governista, com um gordo salário vindo sabe-se lá de onde?

A teoria conspiratória, por mais ridícula que seja, sequer precisa ser afirmada pelo autor. Basta que ele se mostre cético, desconfiado da realidade aparente, que coce a cabeça, olhe sério para o expectador e pergunte: “você não acha tudo isso muito estranho?”.

Se ele for mais ousado, pode se autoproclamar “pesquisador”, uma palavra esvaziada de significado atualmente, e lançar cursos e livros sobre os russos infiltrados na nossa eleição a partir do strogonoff.

FATURAMENTO EXTRA – Não tenho nada contra o prato, que minha saudosa avó, mineira e cozinheira talentosíssima, fazia como ninguém, Muito menos o strogonoff servido no TSE, do qual me refastelei sem cerimônia.

Os influenciadores que me acompanharam na refeição optaram por falar a verdade sobre as urnas em seus perfis, o que é a opção moral a se tomar, mas às custas de algum faturamento extra.

Como dizia Viktor Frankl, só há dois tipos de pessoas: as decentes e as indecentes. E é em momentos como esse que as diferenças ficam mais evidentes. O Brasil nunca precisou tanto de gente decente produzindo conteúdo, falta achar o modelo de negócios. Ou reencontrar a alma nacional.

Maria Silvia Bastos Marques: ESG junta avanços e é tendência irreversível




A pandemia serviu para catalisar diversas iniciativas nas práticas ambientais, sociais e de governança (ESG), mas avanços nesse tema já vinham ocorrendo, ainda que de forma fragmentada, no mundo corporativo. A lembrança, feita pela executiva Maria Silvia Bastos Marques, ex-presidente da CSN, do banco Goldman Sachs e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), serve para ressaltar que a onda ESG no mundo corporativo e no mercado financeiro é irreversível, ainda que haja alguns retrocessos e o avanço não seja totalmente linear.

"O importante é a tendência", afirmou Maria Silvia, que hoje é membro dos conselhos de administração de companhias como Ebanx, Vallourec, Grupo Cataratas e Iguá Saneamento. A executiva abrirá, na segunda-feira, 8, o ciclo de palestras da "Semana ESG", evento online que vai até sexta-feira, 12, e marcará o lançamento do site Integridade ESG, criado pela Insight Comunicação, para reunir conteúdo sobre governança corporativa, sustentabilidade ambiental e ações sociais das empresas e instituições.

Entre as iniciativas fragmentadas no mundo corporativo, Maria Silvia cita a agenda de segurança no trabalho, que começou a avançar nos anos 1990. Foi naquela década, com as privatizações, que começaram a andar também as primeiras iniciativas de melhoria de governança corporativa, com a profissionalização das empresas familiares e o fortalecimento dos conselhos de administração, agenda que seguiria pelos anos 2000. As discussões sobre desenvolvimento sustentável também têm seu histórico, com a conferência seminal de 1972, em Estocolmo. A Rio 92 completou 30 anos este ano, lembrou Maria Silvia.

Agora, a congregação de todas essas iniciativas na temática ESG representa uma "mudança de cultura", segundo a executiva, que não ocorre da noite para o dia e que passa por "diversos graus de maturidade" em cada empresa ou instituição. Para Maria Silvia, a mudança geracional fará diferença nessa mudança cultural, já que os mais jovens têm outra visão sobre temas como sustentabilidade ambiental e diversidade social, entre outros.

A executiva vê as empresas brasileiras bem posicionadas para a economia de baixo carbono, acha que o Brasil tem potencial para ser protagonista, já que o País é "G-1" quando se trata de "mudanças climáticas, transição energética e segurança alimentar", mas critica as políticas de meio ambiente do governo federal, como o atraso para criar um mercado regulado de créditos de carbono e o congelamento do Fundo Amazônia, administrado pelo BNDES, com recursos da Noruega e da Alemanha.

"O setor privado está muito à frente do governo", disse Maria Silvia. "Estamos vendo a sociedade civil se pronunciando e agindo como nunca vi na vida", completou a executiva, numa referência também aos movimentos em defesa da democracia com a participação de juristas, advogados, empresários e artistas.

Com as eleições chegando, a executiva acredita que agora é hora de pensar em 2023 e adiante. Maria Silvia já declarou publicamente o apoio à candidata Simone Tebet (MDB). A executiva está animada porque, "pela primeira vez", vê "engajamento da sociedade civil". Para ela, o pleito de outubro não está definido "surpresas acontecem" nas campanhas, disse e Tebet é uma líder jovem, ao mesmo experiente e cercada de bons especialistas.

"Cada um tem que defender suas convicções, tenho defendido as minhas", afirmou Maria Silvia, chamando a atenção também para a importância das eleições legislativas.

A executiva é uma das signatárias da Carta em Defesa da Democracia, movimento iniciado na Faculdade de Direito da USP, mas não está pessimista em relação à possibilidade de ruptura nas regras do jogo democrático nem crê que, caso derrotado, o presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha sucesso se tentar não reconhecer o resultado.

"Temos instituições fortes, que têm mostrado resiliência. Vimos a quantidade de adesões a esses documentos", afirmou Maria Silvia.

Estadão / Dinheiro Rural

Damares quebra acordo com Bolsonaro e lança candidatura avulsa ao Senado no DF




Em rompimento ao acordo costurado pelo presidente Jair Bolsonaro, a pastora evangélica Damares Alves (Republicanos), ex-ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, "relançou" nesta sexta-feira, 5, sua candidatura ao Senado pelo Distrito Federal, como antecipado na quinta-feira pelo Broadcast Político. A primeira-dama Michelle Bolsonaro endossou a escolha de Damares e compareceu ao evento do Republicanos que cravou a candidatura.

Damares será candidata em chapa avulsa e enfrentará nas urnas a ex-ministra Flávia Arruda, do PL de Bolsonaro. Ainda assim, a ex-ministra decidiu apoiar a candidatura à reeleição de Ibaneis Rocha (MDB), que formou chapa com Flávia, e terá o apoio do União Brasil, com o presidente do partido no DF, Manoel Arruda, como suplente.

A volta de Damares à corrida pelo Senado é mais um capítulo da cisão do bolsonarismo no Distrito Federal. Por intervenção direta do presidente da República, a pastora teve de abandonar sua candidatura na aliança de Ibaneis. Acabou resgatado acordo firmado em 2021 entre o chefe do Executivo local e Flávia Arruda. A costura deixou a ex-ministra da Mulher sem espaço e irritou o Republicanos, que apoia a reeleição de Bolsonaro.

Em evento em Brasília nesta sexta-feira, Damares afirmou que o chefe do Executivo não vai se envolver na disputa. "Tanto eu como a Flávia não seríamos irresponsáveis de colocar o presidente da República na parede. O presidente tem que cuidar da campanha dele. Ele tem que ganhar a eleição. Então, o presidente da República não vai se envolver na campanha local. Não vai", declarou.

A primeira-dama, por outro lado, terá papel ativo na campanha, afirmou a pastora. "Nós queremos fazer uma bancada pró-vida no Senado Federal. E ela com certeza vem. Vem para apoiar, vem para ajudar, vem para pedir voto. Vem para estar comigo", declarou.

A ex-ministra também disse respeitar Flávia, mas que "vai para a disputa". "Eu entendo que a população do DF precisa ter uma outra proposta", afirmou. "Vai ganhar quem tiver mais voto. E digo para vocês: quem vai ganhar sou eu".

Damares ainda revelou não ter conversado com Flávia, mas que Bolsonaro já sabe da sua candidatura. "O presidente quando soube que eu voltei para o páreo, disse simplesmente 'tudo bem', 'apoio', 'seja o resultado que as urnas desejarem'. Ele está muito confortável. Ele tem duas candidatas".

O presidente do Republicanos-DF, Wanderley Tavares, disse que Bolsonaro, "no fundo", nunca quis tirar Damares da disputa. "É do coração dele. É a fiel escudeira dele e provou isso no dia que ele pediu para ela (deixar a disputa pelo Senado). Ele pediu para ela desistir de um sonho, porque quando você se lança na política, você não é um candidato de um CNPJ, não é um poste", declarou. "Tentaram calar o sonho dela, mas aqui no Republicanos não calaria a causa que ela defende. O Republicanos é o verdadeiro partido conservador do País. E a Damares é hoje a maior representante dessa classe no País", emendou.

O Republicanos queria lançar Damares ao Senado numa chapa com o senador Reguffe (União Brasil), mas o parlamentar não foi oficializado por seu partido como candidato ao governo do DF. Diante disso, Tavares procurou Ibaneis na noite desta quinta-feira, 4, e fechou a aliança em torno da reeleição do emedebista.

A reportagem já havia adiantado em 27 de julho que o Republicanos havia se irritado com Bolsonaro e negociava lançar Damares em chapa avulsa.

Estadão / Dinheiro Rural

Febraban vai receber Lula e Bolsonaro para conversa com banqueiros




A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) irá receber o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à presidência pelo PT, nos próximos dias. As tratativas entre a entidade e a campanha do petista estão avançadas para agendar a data da reunião, que contará com os principais banqueiros do País.

Os ex-ministros Aloizio Mercante e Alexandre Padilha são os interlocutores de Lula nas conversas com o presidente da Febraban, Isaac Sidney. Segundo fontes, os dois lados já concordaram em realizar o encontro. Mercadante é presidente da Fundação Perseu Abramo e coordenador do plano de governo de Lula. Padilha tem sido um dos principais canais da campanha petista com o empresariado.

Os outros pré-candidatos ao Planalto também devem receber convites para ir à instituição apresentar suas propostas para o País. O primeiro a se reunir com os banqueiros será o presidente Jair Bolsonaro, na segunda-feira, 8, que inaugura os encontros da Febraban com presidenciáveis.

A equipe do presidente acertou na quinta-feira, 4, a reunião com a Febraban. A negociação foi iniciada pela campanha de Bolsonaro depois da vinda à público do manifesto que reúne banqueiros, empresários e sociedade civil em defesa do processo eleitoral.

A instituição já vinha discutindo a possibilidade de fazer reuniões com candidatos à presidência há cerca de um mês, antes da decisão da entidade de aderir ao manifesto pela democracia encampado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Os banqueiros foram criticados pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, pela adesão ao manifesto. Ele sugeriu que os bancos estavam irritados com o governo Bolsonaro por uma suposta perda de receita pela criação do PIX, que foi iniciada durante o governo de Michel Temer.

Estadão / Dinheiro Rural

Primeiro orbitador lunar da Coreia do Sul entrou em sua trajetória planejada em direção à Lua




Pessoas assistem em uma estação ferroviária em Seul a filmagem ao vivo de foguete SpaceX Falcon 9 sendo lançado com o primeiro orbitador lunar da Coreia do Sul, o Danuri, em Cabo Canaveral, na Flórida, 5 de agosto de 2022

Lançado com sucesso, orbitador já está em trajetória planejada em direção à Lua, disse o Ministério da Ciência da Coreia do Sul nesta sexta-feira (5), de acordo com a agência de notícias Yonhap.

O Orbitador Lunar Desbravador da Coreia, mais conhecido como Danuri, já está na trajetória planejada para o satélite natural da Terra, viagem que deve levar cerca de quatro meses e meio.

A Coreia do Sul confirmou que o orbitador estava gerando energia com seus painéis solares e todos os dispositivos a bordo estavam funcionando corretamente após ser lançado em um foguete SpaceX Falcon 9 de Cabo Canaveral, nos Estados Unidos.

Danuri também fez sua primeira comunicação com uma antena da Rede do Espaço Profundo da NASA em Camberra, Austrália, às 9h40 no horário coreano (21h40 da véspera no horário de Brasília), de acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC).

"O Danuri será registrado como o primeiro passo na história da exploração espacial da Coreia do Sul", disse o ministro da Ciência e TIC, Lee Jong-ho, em Cabo Canaveral após observar o lançamento. Para o ministro "ainda há um longo caminho pela frente para Danuri, incluindo entrar na órbita lunar e realizar sua missão de um ano".

O lançamento desta sexta-feira (5) marca a história espacial do país ao realizar sua primeira missão além da órbita da Terra, ao mesmo tempo que realiza sua primeira missão de observação lunar.

Os objetivos de Danuri são medir terrenos, forças magnéticas, raios gama e outras características da superfície lunar usando seis instrumentos a bordo durante sua missão de um ano, começando no final de dezembro.

O orbitador também vai identificar possíveis locais de pouso para futuras missões lunares, dentre elas a de um módulo de pouso coreano planejado para ser lançado em 2031 depois dos vultuosos investimentos do governo do presidente Yoon Suk-yeol na indústria aeroespacial com a criação do Instituto de Pesquisa Aeroespacial da Coreia (KARI, na sigla em inglês).

Em junho, a Coreia do Sul lançou seu primeiro foguete local, Nuri, tornando-se o sétimo país do mundo a desenvolver um veículo de lançamento espacial que pode transportar um satélite de mais de uma tonelada.

Sputnik Brasil / Jornal do Brasil

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