quarta-feira, junho 29, 2022

Bolsonaro marca Lula para virar o jogo no Nordeste




Marqueteiro orientou Bolsonaro a capitalizar Auxílio

Por Andrea Jubé

O juiz nem apitou o início do jogo eleitoral, mas a bola está rolando faz tempo, como observou o ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira, em conversa com o Valor na semana passada.

Para tentar roubar a bola dos pés do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está ganhando de goleada no Nordeste, o presidente Jair Bolsonaro deflagrou uma ofensiva na região.

Há 11 dias, ele faz marcação cerrada ao adversário: nesse período, já repetiu, ou repetirá o roteiro do petista em três escalas: Rio Grande do Norte, Alagoas e Bahia.

Lula cumpriu agenda em Natal no dia 16 de junho. Um dia depois, Bolsonaro desembarcou na capital do Rio Grande do Norte.

Neste mesmo 17 de junho, Lula teve compromissos em Maceió (AL), ao lado do senador Renan Calheiros (MDB). Hoje, quando completam 11 dias da visita do petista, é a vez de Bolsonaro aterrissar na capital de Alagoas. O presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) - principal adversário de Renan -, acompanhará Bolsonaro na entrega de 1.120 casas populares a famílias alagoanas de baixa renda.

Finalmente, neste sábado (2), Lula e Bolsonaro cumprirão agendas, simultaneamente, em Salvador, na comemoração da Independência da Bahia. Segundo o ex-ministro da Cidadania e pré-candidato ao governo João Roma (PL), Bolsonaro chegará ao Estado na véspera: no dia 1º, ambos anunciam início das obras do Rodoanel em Feira de Santana, a 100 quilômetros de Salvador.

No sábado, Bolsonaro vai conduzir uma motociata na capital baiana, partindo da Arena Fonte Nova, até o Parque dos Ventos. No mesmo estádio, que comporta até 48 mil pessoas, Lula fará um ato político, mas na parte da tarde.

O cerco de Bolsonaro a Lula nos Estados do Nordeste é uma estratégia previsível. Orientado pelos caciques do Centrão e pelo marqueteiro Duda Lima, Bolsonaro convenceu-se de que precisa reduzir a vantagem ampliada de Lula na região.

Segundo sondagem do Datafolha divulgada no dia 23, o petista detém 58% das intenções de voto dos nordestinos, contra 19% que declaram voto no presidente da República. Essa dianteira de 39 pontos percentuais, se persistir, pode garantir ao petista a vitória no primeiro turno.

Com 41 milhões de eleitores, o Nordeste concentra 26,9% do eleitorado. Fica atrás somente da região Sudeste, que reúne 64 milhões de eleitores (42,4%).

O Nordeste é igualmente estratégico porque contempla o maior número de beneficiários do Auxílio Brasil: são 8,5 milhões de famílias cadastradas no programa que substituiu o Bolsa Família. Logo atrás vem a região Sudeste, com 5,2 milhões de famílias registradas, segundo dados do Ministério da Cidadania.

A decisão de intensificar o cerco ao adversário no Nordeste foi um dos temas da reunião de emergência da coordenação da campanha bolsonarista na quarta-feira (22), quando o ex-ministro da Educação Milton Ribeiro foi preso pela Polícia Federal. Ainda tateando a resposta ao fato inesperado, Bolsonaro havia declarado à rádio Itatiaia, naquela manhã, que se a PF prendeu, “tem um motivo”. E o ex-auxiliar que respondesse “pelos atos dele”.

Participaram da reunião o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), os ministros Ciro Nogueira e Célio Faria (Secretaria de Governo), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o ex-ministro da Defesa e indicado para a vaga de vice, general Braga Netto, e auxiliares mais próximos.

Segundo uma fonte que acompanha de perto os bastidores da campanha bolsonarista, nessa reunião, o marqueteiro Duda Lima foi ouvido com atenção. Ele recomendou veementemente ao presidente que, nos atos políticos, principalmente no Nordeste, dedique mais energia a expor as ações positivas do governo, como a entrega de residências do Casa Verde e Amarela e a criação do Pix, e, principalmente, empenhe-se em capitalizar o Auxílio Brasil.

Na mesma fala, Duda Lima ponderou que insistir nos ataques às urnas eletrônicas e aos ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e apostar no confronto institucional, não atrai votos. Ao contrário, afugenta o eleitor de centro - um voto disputado a unha entre Lula e Bolsonaro.

Na entrevista ao Valor, publicada na sexta-feira, Ciro Nogueira afirmou que para Bolsonaro vencer a eleição, “só precisa recuperar o eleitorado que votou nele em 2018”. A base bolsonarista representa cerca de 30% do eleitorado. O restante dos eleitores - que ajudaram a elegê-lo com 55% dos votos válidos (57,7 milhões de votos) - hoje engrossa a taxa de rejeição ao presidente, de 55%, segundo o Datafolha.

É com esse pano de fundo, e seguindo os conselhos de Duda Lima, que Bolsonaro escolheu o Nordeste para anunciar o reajuste do Auxílio Brasil de R$ 400 para R$ 600.

“Como a imprensa está anunciando, o Auxílio Brasil vai passar de R$ 400 para R$ 600”, disse Bolsonaro na sexta-feira, em solenidade de entrega de casas populares em João Pessoa, na Paraíba. “É o governo entendendo o sofrimento dos mais humildes e, dessa forma, buscando atender a todos. Só aqui na Paraíba, 1,5 milhão de pessoas recebem o auxílio”, completou. Ele acrescentou que se o beneficiário conseguir um trabalho formal, não perde o auxílio.

A estratégia, entretanto, não tem retorno garantido. No levantamento realizado em maio, quando fez um recorte do eleitorado que recebe o Auxílio Brasil, o Datafolha apurou que entre beneficiários do programa, 59% declaram voto em Lula.

No mesmo segmento, 66% dos entrevistados responderam que o pagamento do benefício não influencia o seu voto, enquanto 69% dos beneficiários acham que o valor pago é insuficiente. O valor médio do benefício pago em todo o Brasil até o mês passado era de poucos mais de R$ 500.

No futebol, há dois tipos de marcações. Em uma delas, o atacante parte pra cima e tenta dar o bote de saída. Contudo, se o adversário é muito habilidoso, aconselha-se cautela e paciência e esticar o cerco. Como disse Nogueira, tem muito jogo pela frente. Mas até agora, Lula está ganhando de 7 a 1 no Nordeste.

Valor Econômico

Ligue o Arthur Lira e seja feliz




Deputado que desconsiderou pedidos de impeachment busca mais poder

Por Alvaro Costa e Silva

A mania começou no futebol. O atacante marcava um gol daqueles que até você faria. Então saía em disparada gritando para si mesmo: "Eu sou foda!".

Depois virou moda no mercado editorial. O português Miguel Esteves Cardoso leva a culpa de ser o pioneiro, ao lançar em 1994 o best-seller "O Amor é Fodido" —aliás, um belo romance. De 2010 a 2020, era impossível entrar numa livraria sem se deparar com os títulos de autoajuda: "Seja Foda", "Ligue o Foda-se e Seja Feliz", "Como Ser uma Pessoa Foda", "Liberdade, Felicidade e Foda-se", "A Sutil Arte de Ligar o Foda-se", "Seja Foda, Seja Inteligente", "Ninguém é Fodido por Acaso", "Coragem e Foda-se o Resto", "Fodeu Geral" e --o meu preferido-- "Como Ser uma Mãe Foda".

Agora o fenômeno chegou às altas rodas do centrão. O jornalista Chico Alves contou que, no horário político dedicado ao PP nas emissoras de televisão em Alagoas, "Arthur Lira é foda". É o que diz o slogan de campanha à reeleição do presidente da Câmara. A propaganda é tosca, não há jingle, apenas um refrão mal cantado, confirmando o lugar-comum segundo o qual a crise no país é também estética.

Com tanto dinheiro que lhe foi destinado em emendas do orçamento secreto —entre 2020 e 2021, R$ 357 milhões para cidades alagoanas—, o candidato poderia ter caprichado mais no audiovisual da bagaça. O vídeo diz que "o homem é forte em Brasília", mas se cala sobre ele ter sentado em cima de todos os pedidos de abertura de impeachment contra Bolsonaro. Omite o único fato que fará com que no futuro Lira seja citado numa pequena nota nos livros de história do Brasil.

O principal fica sem explicação: o deputado é foda por quê ou em quê? E para quem? Só se for para ele mesmo. Trabalhando para derrubar a Lei das Estatais e já articulando sua permanência por mais dois anos no comando da Câmara, Lira não abre mão de ser o dono do dinheiro que jorra secretamente.

Folha de São Paulo

Jogo perigoso - Editorial




Com ataque às urnas e vice general, Bolsonaro investe em eleitor fiel e ameaça

Jair Bolsonaro (PL) pode ver o copo meio cheio ou o meio vazio na mais recente pesquisa Datafolha sobre a corrida presidencial.

De mais favorável, a partir de sua perspectiva, preservou o apoio de 28% do eleitorado —parcela equivalente, na margem de erro, à de 27% apurada em maio— mesmo após nova rodada de dolorosos reajustes dos preços dos combustíveis.

Trata-se de um contingente considerável, até espantoso, para um governante que passou pelas intempéries de uma pandemia e de uma onda inflacionária global, tendo gerido ambas pessimamente.

Entretanto Bolsonaro permanece num distante segundo lugar na disputa, rejeitado por 55% e sob risco de perder já no primeiro turno, e tem cada vez menos chances de impulsionar sua candidatura.

A principal aposta governista, a ampliação do Bolsa Família a um custo de quase R$ 90 bilhões neste ano, mostrou-se até aqui um fiasco em termos de intenções de voto. À base de desespero, cogita-se agora elevar o valor do auxílio.

Diante das duas leituras, o mandatário prefere satisfazer seus apoiadores fiéis a moderar discurso e prática na busca de novos eleitores. Foi o que fez no domingo (26), em entrevista a um programa de simpatizantes na internet.

Bolsonaro retomou a defesa do pastor evangélico Milton Ribeiro, ex-ministro da Educação preso na semana passada em meio a uma investigação sobre corrupção na pasta. O caso, aliás, pode ser novo foco de atrito entre o presidente e o Judiciário, se avançarem as suspeitas de interferência do Planalto na atuação da Polícia Federal.

Repetiram-se os ataques de tom golpista ao sistema eleitoral, incluindo a afirmação —cuja gravidade vai muito além de uma simples mentira descarada— de que uma fraude teria impedido sua vitória no primeiro turno em 2018.

Não menos importante, Bolsonaro anunciou que o general Walter Braga Netto, ex-ministro da Defesa e partícipe da ofensiva contra as urnas eletrônicas, será mesmo o vice em sua chapa —em vez de uma opção mais moderada e capaz de atrair novos votos, como a ex-ministra Tereza Cristina, da Agricultura, defendida pelo centrão.

A pouco mais de três meses do pleito, o mandatário investe no tumulto e na intimidação, mesmo ciente de que a mentira não elevará suas chances de vitória nem a aliança com militares vai impedir que a vontade popular seja respeitada.

Se não forem eficazes o uso da máquina pública e a campanha negativa contra o adversário Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Bolsonaro poderá conservar, de todo modo, patrimônio eleitoral suficiente para atazanar o país na oposição.

Folha de São Paulo

Os auxílios que Bolsonaro pretende ampliar em ano eleitoral

 




Em baixa nas pesquisas, presidente quer elevar valor do Auxílio Brasil e do Auxílio Gás e criar o Auxílio Caminhoneiro. Lei proíbe novos benefícios em ano de pleito para evitar uso eleitoreiro.

Pressionado pelo mau desempenho nas pesquisas eleitorais, que indicam chance de derrota no primeiro turno em outubro, o presidente Jair Bolsonaro decidiu ampliar os programas de transferência de renda do governo federal que beneficiam parte da população.

São três medidas principais: aumentar de R$ 400 para R$ 600 o valor do Auxílio Brasil, reajustar o Auxílio Gás de R$ 50 para R$ 120 e criar um Auxílio Caminhoneiro mensal de R$ 1 mil. Os novos valores seriam pagos a partir de junho e valeriam até o final do ano.

A intenção do Palácio do Planalto foi anunciada em 21 de junho e incluída na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 16/2022, que já tramitava no Senado. O relator do texto, senador Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), deve apresentar nesta terça-feira (28/06) seu parecer. Para entrar em vigor, a PEC precisa ser aprovada em dois turnos por três quintos dos senadores, e depois pelos deputados com o mesmo rito.

O relatório de Bezerra Coelho estima que as três medidas, mais uma compensação ao setor de transportes pela gratuidade dos passageiros, custarão R$ 34,8 bilhões – mas o valor pode ser ainda maior, segundo cálculos de técnicos do governo. 

A despesa para bancar essas medidas ficaria fora do teto de gastos, em mais uma exceção à regra aberta durante o governo Bolsonaro. Para financiá-las, o governo considera usar o pagamento de dividendos pagos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e pela Petrobras e recursos arrecadados com a privatização da Eletrobras.

Mas há um obstáculo a esse plano. A Lei das Eleições proíbe a criação, pelo governo, de benefícios sociais no ano do pleito, exceto nos casos de calamidade pública, estado de emergência ou de programas sociais já autorizados em lei e em execução orçamentária no exercício anterior – para evitar o uso eleitoreiro desses programas.

O Palácio do Planalto busca formas de se proteger da acusação de crime eleitoral. No caso do Auxílio Brasil e do Auxílio Gás, argumenta que são programas já estabelecidos e em vigor. No caso do Auxílio Caminhoneiro, considera declarar estado de emergência devido à alta do diesel.

O que está em jogo e os custos envolvidos:

Auxílio Brasil: mais R$ 200

O Auxílio Brasil foi criado em outubro de 2021, para substituir ao mesmo tempo o Bolsa Família e o auxílio emergencial criado durante a pandemia de covid-19.

O programa paga atualmente o valor mínimo de R$ 400 mensais a 18,1 milhões de famílias – cerca de um quarto da população brasileira. Têm direito ao benefício as famílias com renda mensal per capita de até R$ 210.

A elevação valor para R$ 600 teria um custo extra de R$ 21,6 bilhões até o final do ano, segundo a projeção de Bezerra Coelho – mas pode ser ainda maior.

Auxílio Gás: mais R$ 70

O Auxílio Gás foi criado em novembro de 2021 e paga, a cada dois meses, o equivalente a 50% da média do preço do botijão de 13 kg. Atualmente, o benefício tem um valor de cerca de R$ 50.

A proposta do governo é elevar o Auxílio Gás para cerca de R$ 120 e cobrir o valor integral do botijão. Há também discussões para aumentar a periodicidade do pagamento, que passaria a ser mensal.

'Críticas ao preço do botijão de gás viraram marca dos atos contra o governo em 2021'

Têm direito ao Auxílio Gás as famílias com renda mensal per capita de até R$ 606 – não são considerados nesse limite os valores recebidos do Auxílio Brasil – ou que tenham pessoas no domicílio que recebam o Benefício da Prestação Continuada (BPC). Em junho, 5,7 milhões de famílias estavam inscritas para receber o Auxílio Gás.

O reajuste proposto pelo governo, mantida a periodicidade atual, custaria R$ 1,5 bilhão, segundo a projeção de Bezerra Coelho.

Auxílio Caminhoneiro: R$ 1 mil

O pagamento de um voucher mensal de R$ 1 mil a caminheiros é a terceira proposta do governo, que busca uma medida paliativa para fazer frente à alta do preço dos combustíveis – pela primeira vez, o diesel está mais caro que a gasolina no Brasil.

Seriam beneficiados cerca de 900 mil profissionais autônomos, sem vínculo trabalhista com empresas de transporte. O custo estimado é de R$ 5,4 bilhões.

Para definir quem terá direito, o governo pretende usar o Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas, cadastro da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) que não é atualizado desde 2017 e inclui também motoristas de veículos menores, como kombi e furgão, segundo o jornal O Estado de S. Paulo.

Os caminhoneiros são um importante elo da cadeira logística no Brasil e uma base eleitoral tradicional de Bolsonaro. A aprovação desse auxílio, porém, depende da instituição de um estado de emergência no país.

'Caminhoneiros são elo importante da cadeia logística e compõem parte da base eleitoral de Bolsonaro'

A criação do Auxílio Caminhoneiro foi criticada por representantes da própria categoria, que defendem uma mudança de longo prazo na política de preços praticada pela Petrobras.

O deputado federal Nereu Crispim (PSD-RS), presidente da Frente Parlamentar dos caminhoneiros no Congresso, disse que a medida era uma "presepada" do governo e que "nem R$ 5 mil resolvem". "Caminhoneiro não quer assistencialismo para ficar refém de político que a qualquer momento pode fazer chantagem eleitoral. Quer política sustentável para administrar seu negócio sem interferência estatal", afirmou.

Risco de crime eleitoral

A ampliação do Auxílio Brasil e do Auxílio Gás e a criação do Auxílio Caminhoneiro estão sendo acompanhadas de perto pelo Tribunal de Contas da União (TCU), responsável pela fiscalização das contas do governo, e também pode vir a ser contestada na Justiça Eleitoral.

Esse risco levou Bolsonaro a assinar um decreto nesta segunda-feira que transfere para a Advocacia-Geral da União (AGU) a responsabilidade de emitir pareceres sobre a legalidade de iniciativas do governo em ano eleitoral. Atualmente, esses pareceres são emitidos pelas equipes de consultoria jurídica dos ministérios envolvidos, e a AGU só atua em caso de conflito.

O decreto estabelece que caberá à AGU se manifestar sobre "os tópicos em propostas de atos normativos que gerem dúvidas quanto à conformação com as normas de direito eleitoral e de direito financeiro, no último ano do mandato presidencial".

O fato de a AGU, hoje sob o comando de Bruno Bianco, redigir os pareceres não blinda Bolsonaro contra eventuais contestações e decisões judiciais sobre esses temas. Se provocado, caberá em última instância ao Judiciário decidir se os reajustes nos programas sociais e a criação de um novo, tão perto da eleição, violam ou não a regra eleitoral, mesmo com a eventual decretação do estado de emergência.

Deutsche Welle

Bolsonaro faz AGU virar AG Eu




Passando dos limites

Por Gilberto Menezes Côrtes  

Jair Bolsonaro passou de todos os limites. Após afrontar leis fiscais (teto de gastos) e eleitorais com o pacote de bondades de mais de R$ 100 bilhões para tentar virar o jogo eleitoral favorável ao ex-presidente Lula, o presidente da República editou nessa 2ª feira um decreto que dá poderes para que a Advocacia-Geral da União (AGU) opine se atos do governo visando a favorecer a reeleição do presidente neste ano ferem ou não a legislação eleitoral já durante o processo interno de elaboração desses atos.

Pelo decreto, que visa agilizar a adoção de medidas em ano eleitoral, como a criação do auxílio para caminhoneiros e a ampliação do Auxílio Brasil (de R$ 400 para R$ 600) em discussão no Congresso com apoio do governo, a Advocacia Geral da União, atualmente chefiada pelo advogado Bruno Bianco, o fala mansa que até meados do ano passado atuou no ministério da Economia, passa a dar pareceres prévios não só para a União, mas à figura do presidente da República, candidato à reeleição. Qual Luís XIV, o Rei Sol, da França, Bolsonaro ignora a Constituição, os demais poderes e a harmonia que deve existir entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, guardião da Constituição.

A lei eleitoral proíbe a criação e a ampliação de benefícios sociais no ano do pleito, mas o governo e parlamentares tentam driblar a regra. Pelo decreto de Bolsonaro, compete ao advogado-geral da União dar parecer sobre "os tópicos em propostas de atos normativos que gerem dúvidas quanto à conformação com as normas de Direito Eleitoral e de Direito Financeiro, no último ano do mandato presidencial".

Em condições normais, as consultorias jurídicas de cada órgão do governo afetado por uma decisão da presidência teriam de dar o parecer inicial. Agora, a AGU toma a iniciativa e seu parecer passa a ter valor absoluto.

Bons sinais da China animam mercado

Sinais de que as atividades econômicas vão ser retomadas na China, após controle dos surtos de Covid em Pequim e Xangai animaram os mercados de ações e commodities, com reflexos sobre o Brasil. O minério de ferro apresenta alta superior a 4,5%, o que impulsionou ações da Vale na B3, onde o Ibovespa avançava mais de 1%, enquanto o dólar tinha nova queda, se estabilizando na faixa de R$ 5,21.

Entretanto, os resultados negativos da sondagem da confiança do consumidor americano em junho esfriaram os ânimos dos investidores, provocando reversão da alta inicial dos indicadores de ações nos Estados Unidos.

Estagflação e criptos, os temores do BIS

O BIS, o Banco de Compensações Internacionais, com sede em Basiléia (Suíça) é considerado o “Banco Central dos Bancos Centrais”. Os parâmetros de Basiléia (revisados a cada ano) balizam os índices de solvência que bancos precisam ter com aporte de capital e reservas capaz de suportar níveis de alavancagem (empréstimos e exposição em determinados ativos) da carteira.

Em seu informe anual divulgado domingo, o BIS demonstrou duas preocupações: 1 - com o risco de estagflação (escalada da inflação, que os BCs procuram controlar mediante elevação das taxas de juros e maiores restrições monetárias, derivar em forte desaceleração da economia, já pressionada pela contração do comércio após as consequências da invasão da Ucrânia pela Rússia e os impacto das sucessivas interrupções das cadeias produtivas da China sobre as cadeias industriais globais. Para o BIS, os riscos atuais são “sem precedentes”.

A 2ª preocupação é com o avanço das criptomoedas em meios às distorções deste mercado com baixa transparência e liquidez apertada. O BIS listou mais de 10 mil criptomoedas (são 10.805 nos dias atuais, com capitalização total de US$ 937.86 bilhões. A questão é que esse mercado se comunica, direta e indiretamente com a economia real e o mercado financeiro.

O mercado de cripto vem sendo sacudido por sucessivas crises de liquidez (quebras de alguns operadores e emissores) e a movimentação diária fica em US$ 56,83 bilhões. O BIS chama a atenção para o fato de que o Bitcoin (criptomoeda mais conhecida) concentra mais de 40% dos negócios diários.

O BIS alerta que “a fragmentação do universo cripto aponta em uma direção muito diferente: como explicado abaixo, quanto mais usuários se reúnem em um sistema blockchain, pior é o congestionamento e maiores são as taxas de transação, abrindo a porta para a entrada de rivais mais novos que podem cortar os cantos da segurança em favor de maior capacidade. Assim, ao invés da narrativa monetária familiar de "quanto mais melhor", a criptomoeda exibe a propriedade de "quanto mais, mais triste". É essa tendência à fragmentação que talvez seja a maior falha da criptomoeda como base para um sistema monetário”

O olho da autoridade monetária

Por isso considera que as “ações regulatórias são necessárias para enfrentar os riscos imediatos no sistema monetário cripto e apoiar metas de políticas públicas. Acima de tudo, as autoridades precisam abordar rigorosamente casos de arbitragem regulatória”.

No país, o Banco Central está preocupado com as tentativas de esvaziamento, pelo Congresso, das medidas de regulação com a retirada de dois trechos tidos como chave para garantir a segurança dos investidores. Um dos casos é a segregação dos patrimônios das corretoras e dos clientes, o que impediria que criptos de usuários fossem atingidas em caso de insolvência da plataforma.

Outro ponto que preocupa o BC brasileiros é a remoção do trecho que obrigaria as corretoras de criptoativos a informarem todas as transações acima de R$ 10 mil ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). Com a mudança, o texto manteria somente a obrigação de informe das transações acima de R$ 35 mil mensais à Receita Federal, norma que já vigora hoje para empresas com presença no país. Isso poderia facilitar as pirâmides financeiras, além da elisão fiscal e da evasão de divisas.

Jornal do Brasil

A América Latina e seus líderes populistas




A economia global sofrerá forte contração e a América Latina não evitará o impacto dos choques externos. 

Por Moisés Naim (foto)

A Colômbia acaba de eleger seu próximo presidente, Gustavo Petro, que, apesar de sua longa carreira política, se apresenta como um forasteiro que vai desalojar do poder as elites que sempre governaram o país. O mesmo foi prometido por Andrés Manuel López Obrador, no México, Gabriel Boric, no Chile, Pedro Castillo, no Peru, Alberto Fernández, na Argentina, e por vários outros presidentes latino-americanos.

No dia 2 de outubro, haverá eleições no Brasil e é quase certo que o atual presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Lula da Silva disputarão o cargo. Além de enfrentar agressivamente seus oponentes, todos esses líderes prometem amplas mudanças institucionais e reformas econômicas. Todos também se comprometeram a reduzir fortemente a pobreza e a desigualdade. Eles serão bem sucedidos?

Não. Por várias décadas, nenhum da longa lista de predecessores que tentaram fazer mudanças permanentes e indispensáveis teve sucesso. A exceção a essa tendência foi Hugo Chávez e seu sucessor, Nicolás Maduro, que transformaram drasticamente a Venezuela. Eles a destruíram.

Populismo

O novo presidente colombiano é o mais recente membro desse clube de líderes políticos que chegam ao poder com promessas populistas que não poderão cumprir ou impor de qualquer maneira, independentemente dos custos e de outros efeitos nefastos. Além disso, terão de governar sociedades com níveis de polarização política e social que muitas vezes impossibilitam acordos e compromissos entre grupos ou segmentos da sociedade que rivalizam e não se toleram.

Como em muitas outras partes do mundo, importantes tomadas de decisão governamentais na América Latina são bloqueadas pela polarização, que se alimenta de identidades de grupo: religião, raça, gênero, região, idade, interesses econômicos, ideologias e muito mais.

Essa polarização, que sempre existiu, agora foi potencializada pela pós-verdade: o aumento da desinformação, das fake news, da manipulação e da disseminação de mensagens que provocam desconfiança.

Nova realidade

Estes são os três “Ps” que definem as realidades políticas nestes tempos atuais: populismo (dividir e governar, prometer e vencer), polarização (o uso e abuso da discórdia) e pós-verdade (em quem acreditar?).

Governar com sucesso neste contexto torna-se ainda mais difícil quando se leva em conta a situação econômica da América Latina. A saúde das economias da região depende criticamente dos preços internacionais das matérias-primas, que constituem seus principais itens de exportação.

Quando a demanda e os preços desses produtos no mercado mundial aumentam, os governos latino-americanos obtêm recursos que alimentam os gastos públicos e, assim, aliviam os atritos políticos e sociais. Se os preços internacionais caem, o conflito político e social se intensifica. É um padrão recorrente.

Contração

Tudo parece indicar que a economia global experimentará uma forte contração e a América Latina não conseguirá evitar o impacto dos choques externos. A inflação, fenômeno até então desconhecido para a grande maioria dos jovens da região, reaparecerá após décadas em que a alta dos preços não fazia parte do cotidiano. A inflação será uma fonte perniciosa de fome, empobrecimento, desigualdade, estagnação econômica e conflito social.

Os efeitos políticos da inflação são agora agravados por uma terrível condição preexistente: a desilusão com a democracia. Milhões de latino-americanos fortemente afetados pela pandemia, pelo desemprego, pela má qualidade dos serviços públicos, pela insegurança alimentar, pela corrupção e pelo crime perderam a esperança de que as eleições e a democracia lhes deem as oportunidades que os políticos há muito lhes oferecem.

Este é o contexto em que o presidente Petro deve governar a Colômbia. Ele tem três alternativas. A primeira é dar viabilidade política a sua ambiciosa agenda de mudanças por meio de transações oportunistas com alguns líderes, partidos da oposição e grupos sociais que se opõem a ele, o que inevitavelmente exigirá que o presidente faça concessões. Aumentar essa margem de apoio será essencial e exigirá decisões bem menos virtuosas.

Acordo nacional

A segunda alternativa é Petro propor à Colômbia um amplo e inclusivo acordo nacional. Uma aliança que permita a tomada de decisões importantes e seja sincera e possa lhe dar o apoio de que ele necessita. Novamente, isso envolve fazer concessões que podem ser difíceis de engolir para o presidente e para aqueles que o apoiaram.

A terceira opção que lhe resta é se comportar como os “presidentes 3Ps” fizeram em outras partes do mundo: enfraquecendo sorrateiramente as instituições, as normas e os freios e contrapesos que definem a democracia. Espero que a democracia colombiana sobreviva aos 3P.

O Estado de São Paulo

A vez do generalíssimo




A convocação do general da reserva Walter Braga Netto, 65, para mais uma missão bolsonarista não espantou ninguém, mesmo que apoiadores ligados ao Centrão estejam rangendo os dentes. 

Por Alexandre Borges (foto)

Quem me acompanha por aqui, na Gazeta do Povo, ou na CNN Brasil sabe que nunca comprei a tese de que Tereza Cristina seria escolhida como vice na chapa de Jair Bolsonaro para a reeleição. Ele não daria essa “fraquejada”, para usar seu próprio vocabulário, num momento de confronto direto com as instituições e com a própria democracia do país. O roteiro foi o mesmo com Janaína Paschoal e Hamilton Mourão em 2018.

A convocação do general da reserva Walter Braga Netto, 65, para mais uma missão bolsonarista não espantou ninguém, mesmo que apoiadores ligados ao Centrão estejam rangendo os dentes. Os profissionais da política sabem que esse fiel escudeiro do presidente nunca embarcaria num processo, mesmo que legal, de impeachment do chefe, uma mensagem fundamental a ser passada em tempos tão turbulentos.

Braga Netto ganhou notoriedade nacional ao chefiar a Intervenção Federal no Estado do Rio de Janeiro em 2018, mesmo ano que elegeu Jair Bolsonaro presidente da República numa conjunção inédita e improvável de fatores: o auge da popularidade da Lava Jato, a prisão do líder das pesquisas, um atentado próximo à eleição, com direito a semanas de uma convalescença midiática que humanizou o candidato para uma parte do eleitorado.

A intervenção no Rio não costuma ser lembrada como um fator, mas ajudou a ressuscitar a ideia, para um determinado segmento do público mais reacionário, de que o país vive um caos comunista e só um general patriota, com plenos poderes, pode colocar ordem na casa.

O governo Bolsonaro, em seu primeiro ano, sofreu com a nefasta influência da chamada “ala ideológica”, meninos maluquinhos que colocaram todos contra todos e instauraram o clima de polarização e radicalismo com que infelizmente temos que lidar até hoje.

Como nem o presidente conseguiu suportar aquela turma por muito tempo, em 2020 os militares passaram a ter um papel preponderante.

Braga Netto assumiu a Casa Civil, o que significa na prática se tornar uma espécie de superministro e braço direito do presidente, enquadrando e escanteando os ideológicos. Sua função como principal nome de Bolsonaro na política estava se iniciando oficialmente.

Foi também em 2020 que outro general, Eduardo Pazuello, assumiu o Ministério da Saúde. Sob sua gestão, houve uma das maiores tragédias de saúde pública da nossa história, com picos de mais de três mil mortes diárias, o massacre provocado pela falta de oxigênio em Manaus, a produção em escala industrial de cloroquina, os atrasos mal explicados na compra de vacinas Pfizer e a preferência ainda mais estranha pela Covaxin, do laboratório indiano Bharat Biotech. Um dia, ainda investigaremos direito essa tragédia.

Pazuello não estava sozinho como czar da pandemia. Braga Netto não apenas deu suporte às decisões do companheiro de farda e ministério como foi o cão de guarda institucional do governo. É notório que os senadores não convocaram Braga Netto para depor na CPI da Covid por se sentirem intimidados, o que certamente conquistou ainda mais pontos com o comandante-em-chefe.

A figura do generalíssimo, associada a ditadores como o espanhol Francisco Franco, está ligada a chefes de estado fardados que assumem a função de “general dos generais”, um papel que Bolsonaro adoraria exercer mas que sua tortuosa carreira militar e sua patente de capitão não permitem. Braga Netto vem preencher este espaço, sendo o avatar de Bolsonaro com quatro estrelas no uniforme.

Os militares do atual governo acreditam, erroneamente, que servir às agendas políticas do presidente da república, como no infame desfile de blindados fumacentos em frente ao Congresso no dia da votação da PEC do voto impresso, é de alguma forma servir ao país.

Não é, mas hoje os militares verdadeiramente patriotas, que sabem que servem à Constituição e ao país, estão infelizmente omissos ou negligentes no seu papel vital de mostrar ao povo que as Forças Armadas não embarcarão em aventuras antidemocráticas ou em chamar às falas seus companheiros aloprados. O retrocesso democrático e institucional, seja qual for o desfecho, está na conta deles.

Gazeta do Povo (PR)

Trump tentou tomar volante do carro presidencial para se juntar a invasores do Capitólio; as revelações do depoimento de ex-assessora

 




A ex-assessora da Casa Branca Cassidy Hutchinson, em depoimento no Congresso sobre invasão do Capitólio

Por Mariana Sanches, em Washington

Donald Trump sabia que seus apoiadores estava armados quando os incentivou em discurso a marchar até o Congresso dos Estados Unidos, em 6 de janeiro de 2021, no episódio que terminou com a invasão do Capitólio e cinco mortes.

E o então presidente, ao terminar seu comício, não pretendia voltar à Casa Branca, mas se juntar aos manifestantes no Congresso. Para isso, chegou a tentar tomar o volante do veículo que o conduzia de volta à residência presidencial.

Essas são as principais afirmações de uma ex-assessora da Casa Branca, Cassidy Hutchinson, cujo depoimento sob juramento dado à comissão parlamentar que investiga o episódio de 6 de janeiro se tornou público nesta terça, 28/6.

Segundo Hutchinson, tanto Trump quanto seus auxiliares mais próximos estavam cientes do potencial violento daquela manifestação marcada para acontecer na capital americana, na qual Trump pretendia repetir suas acusações - sem provas - de que as eleições presidenciais de 2020 tinham sido fraudadas e que ele, não o democrata Joe Biden, seria o real presidente eleito do país.

Naquele mesmo dia, 6 de janeiro de 2021, em um rito formal previsto pela Constituição dos EUA, o Congresso estava reunido, sob comando do então vice-presidente Mike Pence, para certificar a vitória eleitoral de Biden.

Segundo Hutchinson, o advogado de Trump, Rudy Giuliani, disse à ela que o evento tinha o objetivo de fazer Trump "parecer poderoso".

Já o chefe de gabinete presidencial, Mark Meadows, quando questionado pela assessora a respeito do que poderia acontecer em 6 de janeiro, teria dito: "Tem muita coisa acontecendo, Cas. Mas, não sei, as coisas podem sair realmente muito mal em 6 de janeiro", segundo o depoimento da ex-assessora.

'Trump teria tentado tomar o volante e ir para o Capitólio para se juntar com os manifestantes que invadiram o Congresso americano'

De acordo com o relato dela, Trump estava ciente de que os manifestantes estavam armados e deu ordens explícitas para que eles não fossem barrados por isso.

"O presidente aparentemente queria todos os participantes dentro do espaço oficial (do comício) e disse repetidamente: 'Eles não estão aqui para me machucar'. (..) Ele foi informado novamente naquela conversa de que havia armas. E sua resposta foi dizer que eles poderiam marchar para o Capitólio: 'Leve os detectores de metal embora, eles (os manifestantes) não estão aqui para me machucar. Deixe entrar, deixe meu povo entrar. Depois que o comício acabar, eles podem marchar para o Capitólio'", relata a assessora.

Agressão a agente do Serviço Secreto

Ainda segundo Hutchinson, o próprio Trump pretendia se juntar à multidão que marchava para o Capitólio após o fim de seu discurso. Diante da negativa do Serviço Secreto, ele teria chegado a segurar o volante do veículo para forçá-lo em outra direção.

"(O agente do serviço secreto) disse a ele (Trump): 'não vamos (ao Capitólio), não é seguro, estamos voltando para a ala oeste (da Casa Branca)'. O presidente teve uma reação muito forte e muito zangada a isso. Tony (outro assessor) o descreveu como estando irado. (Trump teria dito) 'Eu sou a p... do presidente, me leve ao Capitólio agora'. Ao que Bobby Engel (outro agente) respondeu, 'senhor, temos que voltar para a ala oeste'. O presidente estendeu a mão para a frente do veículo para agarrar o volante. Engel agarrou seu braço, disse: 'senhor, você precisa recolher sua mão. Estamos voltando para a ala oeste. Não vamos ao capitólio'. Trump então usou sua mão livre para se lançar em direção a Bobby Engel, apertando a mão em direção a sua clavícula."

Trump sabia que seus apoiadores estavam armados e marchariam assim para o Capitólio

O depoimento de Hutchinson é uma peça fundamental que até agora a equipe parlamentar investigativa não dispunha: uma descrição em primeira mão sobre como o dia de 6 janeiro se desenrolou dentro da Casa Branca. A comissão tenta estabelecer a responsabilidade de Trump nos acontecimentos. As sessões públicas têm sido capazes de atrair a atenção de ao menos metade da audiência americana, segundo pesquisas de opinião.

Hutchinson era a principal auxiliar do chefe de gabinete de Trump, Mark Meadows, com quem falava diariamente. Ela se sentava a poucos metros do salão Oval e era a principal interlocutora da Presidência com o Congresso.

Em resposta ao depoimento de Hutchinson, Trump tentou desqualificar a ex-auxiliar em um post em suas redes sociais, dizendo que mal a conhecia e que a havia demitido.

"Eu mal sei quem é essa pessoa, Cassidy Hutchinson, exceto que ouvi coisas muito negativas sobre ela (totalmente falsa e 'vazadora'), e quando ela pediu para ir com alguns outros da equipe para a Flórida depois de eu ter servido um mandato completo, eu pessoalmente recusei seu pedido. Por que ela queria ir conosco se ela achava que éramos tão terríveis? Eu entendo que ela estava muito chateada e irritada por eu não querer que ela fosse da equipe", escreveu Trump.

Ao final da sessão desta terça, a deputada republicana Liz Cheney, membro da comissão, afirmou que os parlamentares coletaram o que consideram ser evidências de "intimidação de testemunhas" por parte de Trump.

A comissão então divulgou o que seriam mensagens de interlocutores do ex-presidente a pessoas que dariam depoimentos à comissão para dizer que Trump estaria "pensando" nela, sabia que o depoente era "leal" e que ele "leria as transcrições dos depoimentos". Intimidação de testemunhas é crime. 

BBC Brasil

Em destaque

DENÚNCIA: É mais fácil entrar no céu do que receber um resgate na VIVO PREVIDÊNCIA – A Via Crucis de um pai pelo direito do filho

  DENÚNCIA: É mais fácil entrar no céu do que receber um resgate na VIVO PREVIDÊNCIA – A Via Crucis de um pai pelo direito do filho Por José...

Mais visitadas