15 de Mar de 2023, 18h40

Nikolas Ferreira usa peruca feminina e faz um discurso que abriu feridas
Não se falou sobre outro assunto em rodas políticas nessa última semana, senão do discurso do deputado federal pelo Estado de Minas Gerais, o menino Nikolas Ferreira - deputado esse que ostenta o título de parlamentar federal mais votado nas eleições de 2022, superando bastiões e sumidades da esquerda progressista.
É um fato inconteste que a direita veio para ficar, seja nos espaços sociais de modo geral, seja nos lugares de poder e de representatividade política. A eleição do ano passado mostra isso claramente.
Natural também é o processo de amadurecimento dessa nova parcela político-ideológica que começa a surgir após um sufocamento sistemático dos liberais, conservadores e tutti quanti.
E aqui começo a delimitar o propósito dessa coluna política: muitos são os nuances e análises discursivas que podem ser feitos, extraídas e compreendidas do ato político que se deu lugar na última quarta-feira no Congresso Nacional em alusão ao Dia das Mulheres.
Arrisco ainda a dizer que esse é um assunto quase que infindável e pouco proveitoso quando feito em redes sociais, que por sua natureza incitam e convidam ao conflito bélico entre argumentos e proposições, com o objetivo de ganhar likes, comentários de aprovação e outras recompensas de menor importância para um debate e tema tão profundo na atual sociedade.
Em primeiro lugar, quero deixar claro que não usaria do mesmo expediente que o deputado para abordar essa questão, mas também não estou aqui para julgá-lo. Acredito que o humor e a satirização são ferramentas poderosas e mais que necessárias no exercício da democracia plena que todos nós almejamos um dia conquistar.
Dito isso, me atenho agora ao discurso do parlamentar, fazendo antes a ressalva de que esse assunto não se finda aqui, e que tão pouco tenho como objetivo primeiro convencer você, leitor, a algo ou a alguma coisa. Escrevo como para atender ao ensinamento de um dos meus maiores professores, o psicanalista canadense Jordan Peterson que diz que “quando você tem algo a dizer, o silêncio é uma mentira’’.
Em verdade, tirando a parte característica de uma esquete de humor, todo o discurso em si é notado de sentido e com uma acepção de mundo particular, visão essa que conversa e dialoga muito diretamente com milhões e milhões de pessoas no Brasil, que encontraram nas palavras do deputado um eco de razão e se sentiram representados.
Posso não concordar com a forma, mas o mérito da discussão apresentada me contempla. Disse o deputado: “As mulheres estão perdendo seu espaço para homens que se sentem mulheres”. E aqui começamos a entrar em um terreno acidentado, nebuloso e pouco frequentado por pessoas razoáveis.
Não tenho problema algum em, conhecendo a pessoa, em comum acordo e em nome da civilidade, chamá-la pelo nome e identidade sexual preterido. A questão envolvendo transexualidade, mudança de gênero e afins precisa vir para o terreno da razão e deixar de ser um salvo-conduto para que um determinado lado persiga e assassine a reputação daqueles que pensam diferente.
Afinal, vivemos ou não em uma democracia? Defendemos ou não o direito ao contraditório? Quem é diferente de mim tem ou não o direito de se manifestar? São perguntas que precisam tomar o centro do debate, em que pese a dureza das palavras proferidas pelo deputado.
E aqui me apresento como sendo um indivíduo mais alinhado à direita tal como o Nikolas Ferreira. Existe dentro da própria esquerda um discurso que coaduna com a preocupação trazida pelo parlamentar em sua fala.
Alguns movimentos feministas já olham com certa preocupação o avançar das pautas transexuais, por tirarem o protagonismo das chamadas “mulheres biológicas”. Multipicam-se os casos em competições esportivas, onde mulheres trans que possuem traços genéticos, compleição física e hormônios masculinos estão a derrotar e humilhar as mulheres. Nesse sentido, a fala do deputado faz todo sentido.
Longe de mim desmerecer a sensibilidade de homens e mulheres trans, mas penso que não se convence alguém de algo na base da violência, censura e perseguição judicial. Calar os discordantes, ameaçar de prisão e cassar a voz daqueles que se levantam contra essa tirania ideológica não é a melhor forma de conquistar apoio para a causa.
Pelo andar da carruagem, depois de prenderem todos os homens que levantarem a voz contra a agenda da transexualidade por um suposto crime de transfobia, passarão a prender as mulheres pelo mesmo crime e no final não sobrará ninguém para contar a história, pois quem não tiver sido preso ficará com medo e receio de falar qualquer coisa contra a nova tirania instaurada. E o questionamento que fica é: seriam algumas tiranias mais legítimas que outras?
JLPolítica